A Missão
Gaspar passava as tarde de primavera no bosque e partilhava as brincadeiras no riacho de pedras escorregadias cheias de musgo com seu amigo Pipo, um esquilo muito simpático e cómico. Numa dessas tardes amenas e galhofeiras, o coelho esperava o seu amigo para desafiarem a água que corria por entre as margens cobertas de mantas de flor inocente do agrião.
Pipo tardou e Gaspar, já preocupado, via o sol soalheiro e radioso a escapar-se por entre os carvalhos. Correndo, esbaforido, Pipo chega perto de Gaspar e, quase sem poder falar, explica porque havia demorado.
-Desculpa amigo, cheguei atrasado porque encontrei uma raposa muito aflita!
Gaspar, que entretanto acalmou Pipo, diz:
-Ora conta lá essa história como deve ser.
Pipo, em chorrilho de soluços e gagueira, descreveu o encontro com a raposa Lisa. A raposa, de pelo cor de tijolo e focinho muito aguçado, estaria a chorar junto a um centenário vigoroso carvalho, que servia de abrigo a muitos animais. Pipo ficara a saber que Mafalda, a raposinha da D. Lisa, estava de cama muito doente. A mãe, angustiada e desassossegada, não sabia mais o que fazer. Percorrera o bosque todo em busca das flores milagrosas que a coruja sábia lhe havia recomendado capazes de curar a sua pequena.
-Eu sei onde encontrar essas flores! - exclamou Gaspar - As flores Melagratix só resistem no cimo da Montanha Assombrada!
-Na mon -mon - ta -ta - nha assssss - ombraaaada?! - gaguejou, novamente, Pipo - mas .., nunca ninguém saiu de lá com vida!
-Pipo, acreditas em mim, amigo?! - perguntou, confiante, Gaspar.
-Sim, acredito! - respondeu, ainda medroso, Pipo.
Os dois amigos de diversão tinham agora pela frente um espinhosa e complicada tarefa.
A missão a que se tinham proposto enfrentar, valeria todo o seu esforço e coragem.
-Mafalda ficará curada! - afiançaram os dois amigos.
Ao anoitecer, Gaspar o destemido coelho, e Pipo estavam de volta ao velho carvalho com as milagrosas flores. A luz que as Melagratix irradiavam ajudara-os a descer com ligeireza a sombria montanha.
Como prometera a anciã coruja, a doença da raposinha Mafalda cedeu ao poder curativo das flores, da dedicação de Pipo e coragem de Gaspar.

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